O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino suspendeu, neste domingo (21), a proposta aprovada pelo Congresso que permitia o pagamento de emendas parlamentares não executadas entre 2019 e 2023. A estimativa era de liberação de cerca de R$ 3 bilhões.
A decisão foi tomada antes de qualquer sanção ou veto do presidente Lula, e atendeu a uma ação apresentada por parlamentares do PSOL e da Rede.
Por que Flávio Dino suspendeu
Segundo o ministro, a proposta:
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Extrapola os limites institucionais definidos entre os Três Poderes;
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Viola acordos firmados anteriormente para corrigir inconstitucionalidades no sistema de emendas, especialmente aquelas ligadas à falta de transparência e rastreabilidade;
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Representa uma tentativa de ressuscitar recursos antigos sem cumprir os critérios exigidos pelo STF.
Na prática, o Congresso tentou reabrir a execução de emendas antigas que já haviam sido barradas por decisões da Corte.
Impacto financeiro
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Emendas “ressuscitadas”: cerca de R$ 3 bilhões
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Total sob controle do Congresso em 2025: R$ 50,3 bilhões em emendas parlamentares
Como funcionam as emendas parlamentares
1. Emendas individuais (49%)
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Indicadas por deputados e senadores
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Impositivas: o governo é obrigado a pagar
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Valores em 2025:
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Senador: R$ 68,5 milhões
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Deputado: R$ 37,2 milhões
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50% obrigatoriamente para a saúde
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Podem ser:
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Transferências com finalidade definida
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Aplicação em ações do governo federal
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Emendas Pix (transferência direta a estados e municípios, com plano de trabalho aprovado)
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2. Emendas de bancada estadual (28%)
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Definidas conjuntamente por parlamentares de cada estado
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Impositivas
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Em média, R$ 530 milhões por bancada em 2025
3. Emendas de comissão
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Propostas por comissões permanentes da Câmara, Senado ou Congresso
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Não são impositivas
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Podem ser contingenciadas pelo governo federal
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Estão no centro de questionamentos por menor transparência
Contexto político
A decisão reforça o papel do STF no controle das chamadas emendas do orçamento secreto, tema que tem gerado atritos constantes entre:
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Congresso Nacional
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Supremo Tribunal Federal
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Governo Federal
Flávio Dino, ex-ministro da Justiça, tem adotado uma linha dura contra mecanismos que fragilizem a transparência orçamentária e o controle público dos gastos.
